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Da fábrica ao comedouro: Como a contaminação microbiológica ameaça a alimentação animal

Por Marina Massocco, Especialista em Atendimento ao Cliente da ADM

Dentro da alimentação animal existe uma grande variedade de matérias-primas que são utilizadas no preparo para uma dieta balanceada, sendo elas de origem animal, vegetal e mineral. Ingredientes como grãos, subprodutos de moagem, subprodutos de processamento de abate de animais, suplementos vitamínicos e minerais, gorduras e óleos constituem a ração animal (Parker et al, 2022).

Em um controle microbiológico dentro de uma fábrica de ração, é comum encontrar nas matérias-primas (grãos, farelo de soja e farinhas de origem animal) contaminação por diversos tipos de microrganismos (fungos, bactérias e leveduras), alguns deles resistentes a condições de baixa umidade e com característica de sobrevivência por longos períodos. É muito frequente a contaminação nesses produtos por Salmonella spp. e Clostridium sp., com níveis de contaminação relatados na literatura que podem variar de 5 × 103 a 1,6 × 108 UFC/g (Tessari et al, 2014; ).

A Salmonelose é considerada uma das zoonoses mais relevantes e preocupantes que são transmitidas por alimentos. Além disso, a salmonelose tem grande impacto econômico na produção animal, podendo representar altos custos dentro da cadeia produtiva bem como entraves no consumo e na importação de produtos. Os produtos de origem animal, principalmente oriundos de aves e suínos, desempenham um importante papel na transmissão de Salmonella para os humanos (Berends et al., 1998, Kich et al., 2011). 

Dentro de uma fábrica de ração, os ingredientes são as principais fontes de contaminação por Salmonella sp (Coma, 2003; Jones e Richardson, 2004). Sabe-se que as matérias-primas de origem animal (farinhas, gorduras e óleos) estão relacionadas ao aumento no risco de contaminação por Salmonella spp, porém os ingredientes de origem vegetal (milho, soja, sorgo, farelo de arroz, farelo de algodão) também apresentam risco de contaminação por esse patógeno (Jones e Richardson, 2004). 

As fontes de proteína de origem vegetal que são processadas em plantas de produção de óleo, como o farelo de soja, farelo de canola, etc., são mais propensas à contaminação por Salmonella (Morita et al, 2006).

Estudos levantados por Wierup (2017) sugerem que o grão de soja já pode ser contaminado por Salmonella sp desde o ínicio da cadeia produtiva, na fase de plantio com o uso de água contaminada na irrigação ou pelo uso de esterco, assim como no armazenamento e transporte antes mesmo de chegar nas plantas de processamento (esmagadoras), embora seja difícil comparar o nível de contaminação entre esses diferentes estudos devido à variação na amostragem e técnicas de cultura aplicadas. Portanto, os ingredientes de origem vegetal e os cereais podem entrar em contato direto com os desafios ambientais e contaminações durante o plantio, colheita, armazenagem e no transporte (Richardson, 2008).

É crescente a preocupação dos mercados consumidores de matéria-prima com relação aos níveis de contaminação microbiológica, principalmente quanto aos produtos de origem vegetal e animal que possam ser utilizados na cadeia de produção de proteína. 

Um ponto grave da identificação da Salmonella em silos, equipamentos e nas linhas de processamento de fábricas de ração é a capacidade dessa bactéria de formar biofilmes que favorece seu desenvolvimento e permanência na superfície. Dessa forma, as principais estratégias para a redução e eliminação da Salmonella em rações são baseadas no monitoramento e controle da contaminação dos ingredientes, controle e monitoramento de processos, através da associação das ferramentas de um Programa de Auto Controle bem instalado e monitorado junto a uma Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC). Dessa forma, é possível detectar e prevenir a contaminação em toda a cadeia produtiva de alimentos. Como complemento, o tratamento térmico (peletização, expansão e extrusão) e o tratamento químico (uso de aditivos tecnológicos, como ácidos orgânicos e formaldeído) são métodos alinhados para descontaminação, auxiliando no controle de patógenos nos alimentos. 

A recontaminação microbiológica pode acontecer caso não sejam utilizadas essas estratégias mencionadas para controlar os níveis de contaminação das matérias-primas até o destino final da ração (o comedouro). Assim como demostrado em um estudo realizado por Richardson (2007) em que foi identificada a presença de diferentes microrganismos em rações provenientes de diferentes fábricas de rações, foi possível observar que o nível de contaminação das rações coletadas nos silos dos aviários era sempre maior que o nível das rações coletadas no ambiente das fábricas. Dessa forma, pode-se concluir que as estratégias de controle de contaminação microbiológica adotadas somente nas fábricas de rações não garantem a ausência ou baixas contagens de bactérias e fungos até o momento em que a ração é oferecida ao animal. 

Os aditivos conservantes são essenciais na cadeia produtiva da ração, de forma que tenham o efeito na redução da contaminação microbiana do alimento destinado ao animal, e principalmente que protejam da recontaminação microbiológica.

A ADM oferece dentro do seu portfólio de aditivos conservantes, a linha para controle de Salmonella com produtos à base de formaldeído, Salmex e Betabacter, e os produtos à base de ácidos orgânicos, BetaSal e Betacleaner, os quais possuem eficiência comprovada no controle da contaminação por bactérias e fungos em rações e ingredientes de origem animal e vegetal.

Além disso, a ADM dispõe de uma equipe de serviço técnico especializada para projetar, instalar e acompanhar os sistemas de aplicação para cada realidade de fábrica. Além de um programa para controle de patógenos que inclui monitoria através de análises, mapeamento dos pontos críticos da fábrica e treinamentos.

NUTRIÇÃO ANIMAL É ADM.