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Carvão vegetal na nutrição suína: menos diarreia, mais desempenho

por Bruno Damaceno Faria, Gerente de Desenvolvimento de Negócios da ADM

Introdução

A saúde intestinal dos suínos é um dos pilares para garantir desempenho produtivo, bem-estar animal e eficiência alimentar. Em um cenário de produção intensiva, marcado pela restrição do uso de antibióticos promotores de crescimento e pela crescente pressão de desafios sanitários, soluções nutricionais seguras e eficazes tornam-se indispensáveis.

Entre essas alternativas, destaca-se o carvão vegetal, um material carbonáceo pirogênico (PCM), conhecido historicamente por suas propriedades de purificação e, mais recentemente, validado por pesquisas na nutrição animal como ferramenta de suporte à integridade intestinal.

O diferencial do carvão vegetal desenvolvido para uso em nutrição animal está na seletividade de adsorção: sua estrutura porosa, resultante de um processo controlado de pirólise (550–600 °C), permite capturar toxinas de médio e grande porte – como as enterotoxinas bacterianas e micotoxinas como deoxinivalenol (DON) e zearalenona – sem comprometer a biodisponibilidade de nutrientes essenciais da dieta. Dessa forma, sua utilização representa uma estratégia preventiva e natural contra perdas de desempenho associadas a distúrbios entéricos.

Mecanismos de ação e de adsorção do carvão vegetal

O efeito benéfico do carvão vegetal na saúde intestinal está associado à sua capacidade seletiva de adsorção. Diferentemente de outros sequestrantes, o carvão vegetal atua sobre moléculas de maior porte sem interferir na absorção de nutrientes essenciais.

Seus principais mecanismos de ação incluem: 1) Adsorção de enterotoxinas bacterianas (E. coli), prevenindo inflamações e diarreia; 2) Preservação da integridade intestinal, evitando atrofia de vilosidades e favorecendo a absorção de nutrientes; 3) Captação de micotoxinas não polares/neutras (DON, zearalenona), muitas vezes pouco adsorvidas por argilas ou leveduras; 4) Redução de compostos putrefativos (amônia, indóis, fenóis, escatol), que prejudicam o ambiente intestinal e a qualidade do ar nas instalações.

Do ponto de vista físico-químico, o processo de adsorção ocorre pela combinação de microporosidade estrutural e interações de superfície. As toxinas são retidas principalmente por forças de Van der Waals e interações hidrofóbicas, eficazes contra compostos apolares ou neutros. Além disso, a presença de grupos funcionais oxigenados na superfície do carvão permite a formação de ligações de hidrogênio e interações eletrostáticas com toxinas polares. Essa seletividade estrutural faz com que o carvão seja eficiente para capturar moléculas tóxicas médias e grandes, sem reter vitaminas, minerais ou medicamentos.

Evidências científicas em suínos

Estudos em leitões demonstraram que a inclusão de 0,5% de carvão vegetal (Carbovet®) na dieta reduziu significativamente os efeitos das toxinas de Escherichia coli (Tabela 1):

Tabela 1*. Desempenho e parâmetros fecais de leitões (7 a 34 dias) sob desafio por E. coli. Comparação entre controle e suplementação com Carbovet® 0,5%.

ParâmetroControleCarbovet® 0,5%
Peso inicial (kg)2,42,3
Peso ao desmame (kg, 20 dias)4,44,4
Peso final (kg, 34 dias)7,38,2
Ganho de peso total (kg)4,95,9
Matéria seca das fezes (%)21,831,2
Escore fecal (diarreia %)500

*Acervo ADM

1) No grupo controle, aproximadamente 50% dos leitões apresentaram diarreia, enquanto no grupo com Carbovet® nenhum leitão apresentou fezes diarreicas; 2) A matéria seca das fezes foi 42,8% maior (31,2% vs. 21,8%), refletindo melhor consistência; 3) O peso corporal ao final do período foi 12,3% superior em relação ao controle (8,2 vs. 7,3 kg); 4) Análises histológicas indicaram melhor relação vilosidade/cripta e maior produção de ácidos graxos voláteis benéficos, como butirato.

Os resultados abaixo, da Tabela 2 e da Figura 1, evidenciam o efeito positivo da suplementação com Carbovet® em leitões desafiados por E. coli. Enquanto o grupo controle apresentou 30% de mortalidade e menor ganho de peso, a inclusão do produto (0,1% e 0,3%) reduziu as perdas para 10%, além de promover ganhos de peso até 45% superiores.

Tabela 2*. Desempenho de leitões (21 a 54 dias; 6–22 kg) sob desafio por E. coli.

ParâmetroControleCarbovet® 0,1%Carbovet® 0,3%
Peso inicial (kg)6,316,507,10
Peso final (kg)16,3619,7821,67
Ganho de peso (kg)10,0513,2814,57
Consumo de ração (kg)16,8819,6521,05
Conversão alimentar (F:G)1,681,481,44
Mortalidade (n, %)3 (30%)1 (10%)1 (10%)

*Acervo ADM

Figura 1. Mortalidade (%) e ganho de peso em leitões (21 a 54 dias; 6–22 kg) sob desafio por Escherichia coli.

O melhor desempenho foi acompanhado por maior consumo de ração e melhor conversão alimentar, indicando que a adsorção das toxinas bacterianas pelo carvão vegetal contribuiu para preservar a integridade intestinal e favorecer a utilização dos nutrientes.

Esses resultados confirmam o potencial do Carbovet® como ferramenta preventiva contra os efeitos das enterotoxinas em leitões, assegurando maior sobrevivência e produtividade mesmo em condições de desafio sanitário.

Conclusão

O uso de carvão vegetal padronizado em dietas de suínos se mostra uma ferramenta eficaz para reduzir diarreias, melhorar a consistência fecal, aumentar a absorção de nutrientes e sustentar o desempenho produtivo em condições de desafio bacteriano.

A ADM disponibiliza o Carbovet® ao mercado como um aliado estratégico nos programas de integridade intestinal e no manejo preventivo da suinocultura intensiva, através de sua ação seletiva na adsorção de enterotoxinas e micotoxinas, sem comprometer nutrientes essenciais.

NUTRINDO HOJE O NOSSO AMANHÃ.